
O coração que existia em meu peito foi arrancado
O sorriso de minha face foi surrado e esmagado
As lembranças que eu cativava foram saqueadas
Minha boca foi amordaçada e não pude mais falar
Meus olhos foram roubados sem que eu reagisse
A mulher de minhas frases singulares foi embora
A amante dos meus poemas fugiu de minha vida
A beleza pela qual declamava proezas foi extinta
Seus lábios agora ficam em minha triste memória
Seus carinhos continuam guardados na intimidade
A minha alma foi vendida para que ela ressurgisse
Sentimentos foram suprimidos para ela retornasse
Várias palavras eu pronunciei para que ela viesse
Mas a esperança que carregava no íntimo do peito
Foi mutilada e assim ficou estagnada sem nada ter
Não sei mais caminhar sem uma guia para me ajudar
Não sei mais escrever sem a tortura para me orientar
Não sei mais ficar sem o auxílio da dor companheira
Não sei mais sorrir sem o tormento para me socorrer
Não sei mais enxergar sem a aflição para me esmolar
A minha sobrevivência não consegue prosseguir assim
Minha vontade fica retalhada a meros e fracos pedaços
Meu castigo parece que não terá o seu significativo fim
E o domínio que a falta de coragem exerce sobre mim
Será a peça que recobrirá os restos de meu severo fim.









0 comentários:
Postar um comentário